quarta-feira, 9 de abril de 2014

SENTADO NA RELVA.

O dia foi produtivo. Estivemos com o Mestre durante todo o dia aprendendo acerca da vida. Seus ensinamentos, ao contrario do farisaísmo, apresenta vida ao invés de morte, alegria no lugar da tristeza, alivio para as dores.

Chamou-me a atenção a forma meiga e suave com que suas Palavras atingiam o coração da multidão, que o seguia desde a cidade e ficou aos seus pés ate o declinar do dia. Jamais me esquecerei do que vi. Ele ensinava sobre o Reino de Deus e curava a todos que estavam enfermos. Que cenas extraordinárias! Jamais as vi na Sinagoga ou nos templos judeus. Era algo incomparável!

O tempo foi passando. Ninguém queria sair de seu lugar, pois mesmo com o cansaço e a fome, estar perto daquele Homem era algo agradável, e olhe que eram quase cinco mil pessoas ouvindo suas Palavras. O fim do dia estava chegando.

O lugar da reunião era deserto e as pessoas tinham fome. Dado momento chegou alguns homens que acompanhavam o Mestre, conhecidos por todos como discípulos, e aconselharam-no a despedir a multidão para ir às aldeias e vilas e comprarem o que comer. Fitei os meus olhos no Meigo Nazareno ansioso por sua resposta, pois, sinceramente, depois de estar o dia todo aos seus pés não esperava que ele fizesse como fora aconselhado. E realmente não o fez.

O Mestre deu ordem aos doze para que eles mesmos alimentassem a multidão. Eles, como eu, não entenderam nada, pois que só tinham cinco pães e dois peixes. O que seria tão pouco para uma multidão tão grande? – pensei. Desorientados e sem saber o que fazer os discípulos propuseram sair e comprar comida para o povo. Mas como seria trazer tanta comida para tanta gente? O transporte, os cargueiros, como? Aquele Mestre era realmente surpreendente!

Ele ordena aos seus amigos que organizasse aquela multidão em grupos de cinquenta, pegou os pães e os peixes, olhou para o céu, orou abençoando-os e devolveu aos discípulos para que repartissem para a multidão. Foi uma cena inexplicável! Milagrosamente os pães foram multiplicados, assim como os peixes, e aquela multidão foi saciada, além de sobrarem doze cestos de pães.

Sentado naquela relva aprendi que quando se esta aos pés de Cristo ele prove o que você precisa para sua vida diária. Aprendi que ele toma as coisas simples, mesmo que sejam poucas, para cumprir os seus propósitos. Aprendi que ele trabalha contra as perspectivas humanas. Mesmo se você não enxerga a solução, Ele a tem. Mesmo que tudo pareça impossível, Ele torna possível! Sentado na relva fui alimentado, não só o corpo para o tempo presente, mas a alma para a eternidade!

Samuel Eudoxio

domingo, 15 de dezembro de 2013

A instabilidade do ministério integral atual



O grande desafio para jovens obreiros vocacionados ao ministério é se devem ou não “viverem da obra”. Constantemente encontros obreiros que se dividem entre as tarefas cotidianas, emprego secular e a obra ministerial, os chamados “obreiros de tempo parcial”. Estes, em seus tempos de folga dedicam-se a obra do Senhor, e não são poucos os que fazem uma grande obra, mesmo em tempo parcial. Por outro lado, há os “obreiros de tempo integral”, os que vivem do salário e sustento da igreja. É uma vida de desafios, fé, trabalho e confiança no Senhor.


O princípio do ministro assalariado está nitidamente esboçado por Paulo, em 1 Coríntios 9. A passagem Bíblica deixa claro que o ministro tem o direito de ser sustentado, para que possa devotar todo o tempo necessário ao ministério. É importante ressaltar que o ministro recebe o salário não porque é “ministro”, mas porque presta um serviço á Igreja do Senhor. Não são raros os pastores e missionários que abriram mão de bons salários e vida profissional para se dedicar unicamente a obra ministerial. Como não serem, portanto, assalariados pela igreja? Jesus ao enviar os setenta ensinou que “digno é o obreiro de seu salário” (Lc 10.7), e a igreja deve fazer o seu papel de manter os seus pastores em condições dignas de prestar-lhes o serviço sacerdotal. Mas, até onde o “ministério de tempo integral” é uma garantia para o pastor e sua família?


Que ministério não é cabide de emprego todos sabem, mas com toda certeza o serviço eclesiástico deve cercar o ministro de garantias para a sua vida futura. Conheço um bom número de pastores que estão a 30 (trinta), 40 (quarenta) anos no ministério. Abriram mão de tudo para cumprirem o seu chamado, sua vocação. Seria justo, no final da vida, esses obreiros serem desamparados ou esquecidos pela igreja a qual dedicaram toda a sua vida? Claro que não. Alguém pode questionar o porquê de muitos destes obreiros não construírem, eles próprios, uma garantia para o futuro. A resposta é simples. A maioria de nossos ministros vive com salários modestos, com o suficiente para a subsistência de sua família, diga-se entre R$700,00 e R$1.200,00. Agora, me diga, como um obreiro que ganha esse salário, criando filhos, será capaz de construir uma garantia para o futuro? Dificilmente. Não se engane, a vida da maioria dos ministros de tempo integral é modesta e cercada de necessidades, que são supridas dia a dia pelo Senhor. Não tenhamos em mente apenas o ministério próspero de poucos pregadores e tele-evangelistas. Na verdade, a vida do ministro de tempo integral atual está cercada de grande instabilidade, e porque não falar em incertezas. Por parte de Deus? Não, dos homens.


Hoje, meia dúzia de palavras é o suficiente para que um pastor seja retirado de sua função. Se o ministro não estiver pastoreando de acordo com o desejo do povo, este se levanta e pede a sua retirada da igreja local. Não precisa muito. Está comum grupos se levantarem nas igrejas para assumirem a liderança, e levarem as suas causas até mesmo na justiça, desapossando pastores e líderes de suas posições. Obreiros que não querem mais “deitar água” nas mãos de seus pastores (2 Rs 3.11), pelo contrário, juntam-se a congregação de Corá (Nm 16.1-3) e levantam-se contra a sua liderança. Infelizmente, muitas dessas vozes têm força em nossos dias, quer por causa das influências ou favores devidos, e a voz do líder é calada, e seu ministério desconsiderado. Com isto, pouco importa “os seus anos de casa”, serviços prestados ao Reino, sofrimentos por amor a causa de Cristo, a história passada, igrejas implantadas, projetos de sucesso, nada disto importa. Prevalecerá a voz da incompreensão e da ingratidão. O ministério de tempo integral é um desafio para poucos, pois que nem todos estão preparados para “tomarem o cálice” que estes homens de Deus têm tomado.


Pastores integrais, que o Senhor seja contigo nos dias maus que vivemos. Que a provisão de Deus esteja sobre a sua casa e sua família. Que a sua geração seja abençoada e protegida pelo Senhor. Não desanime em meio às crises. Não desfaleça diante das adversidades. Siga em frente, crendo que em meio a tantas instabilidades, o que vos chamou permanece Fiel (1 Ts 5.24) e completará em vós toda a boa obra (Fp 1.1-6). Permaneça fiel,  esperando firmemente aquele dia em que ouvirá do Senhor da Seara: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt 25.21)

Em Cristo,

Samuel Eudóxio

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

PREGA A PALAVRA – 2 Tm 4.2


Que Palavra devemos pregar?

1 – Palavra de Salvação

A – Zaqueu – Lc 19.9
B – Mulher pega em adultério – Jo 8
C – Mulher samaritana – Jo 4

2 – Palavra de Libertação

A – Endemoninhado gadareno – Mc 5. 1-20
B – Filha da mulher cananéia – Mt 15. 21-28
C – O ministério de Jesus foi marcado por Libertação - Is 61.1-3
D – Libertação vem pelo conhecimento da Verdade – Jo 8.32,36

3 – Palavra de Cura

A – Mulher com fluxo de sangue - Mt 9.20-22; Mc 5.25-34; Lc 8.43-48
B – Cego de nascênça – Jo 9.1-41
C – O homem trazido por quatro amigos – Mc 2

4 – Palavra de Poder

A – Não de mera filosofia – 1 Co 2.4
B – A Palavra da Cruz é Poder de Deus– 1 Co 2.2; Rm 1.16
C – Sinais e maravilhas – Hb 2.4; 2 Co 12.12; Mc 16.17,18
 
 
 Voltemos a pregar o Evangelho Cristocêntrico!
 
Em Cristo,

Ev. Samuel Eudóxio

sábado, 23 de novembro de 2013

JEFTÉ, O FILHO DA PROSTITUTA



              Jz 11



    O homem quase sempre escolhe pessoas cujas famílias são bem aceitas na sociedade, ou no meio em que vivem, para estar ao seu lado. Quase ninguém quer ter a companhia de alguém cuja família está passando por problemas na justiça, drogas, álcool, prostituição, ou outros problemas que poderiam manchar a sua reputação. Com Deus não é assim.

    Lendo a Bíblia você encontrará várias pessoas que tinham tudo para ser um fracasso na vida, mas que Deus mudou a sua história. Deus não vê como o homem (1 Sm 16.7), pois este sempre vê o exterior, mas Deus vê o coração, as nossas intenções. Jesus também, sendo Deus, olhava para as pessoas, e mesmo estas sendo pecadoras, perdidas, Ele dava-lhes atenção cultivando nelas o sentimento de valorização e utilidade (Jo 4; Jo 8.1-11; Mt 8.1-4; Jo 21.13-19; Mt 9.36; At 9.13-15). Deus não vê como o homem! Glória, pois, a Ele por isso!

    Em Juízes somos surpreendidos com um personagem que tinha tudo para “chutar o balde” e viver uma vida de ressentimentos, revoltas, e quem sabe acabar de maneira trágica. O nome dele é Jefté. Sua história está a partir do capítulo 11 de Juízes. O escritor chama-nos a atenção ao iniciar a história de Jefté citando duas qualidades dele: “valente e valoroso” (Jz 1.1).

   Há muitos que estão rodeados de pessoas de boas qualidades, talentos, dons, capacidades, são pessoas agradáveis, mas que ao ouvir sua história, quem sabe sua origem, o seu juízo de valor a respeito daquela pessoa muda de imediato. Jefté tinha qualidades, “era valente e corajoso, porém filho de uma prostituta” (v. 1), e por ter nascido nestas condições seus irmãos o repeliram e lhe disseram: “Não herdarás em casa de nosso pai, porque és filho de outra mulher”. Mas Deus não vê como o homem!

     A Bíblia nos diz que Jefté fugiu de casa e se ajuntou a ele homens levianos (Jz 11.3). Isso me faz lembrar de outro grande homem de Deus chamado Davi, que ao fugir de Saul para a caverna de Adulão, “ajuntou-se a ele todo homem que se achava em aperto, e todo homem endividado, e todo homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles” (1 Sm 22). Mas isso é assunto para outra ocasião. Mas há algo em comum entre os dois. Ambos foram desprezados, tinham um chamado e sabiam lidar com pessoas problemáticas. Jefté trabalhou o seu problema pessoal, foi moldado para ajudar os outros a resolver os seus problemas, se destacou-se como líder deles e estava pronto para ser usado por Deus no momento certo e na hora certa. E esta hora estava por chegar.

     Passados os dias, o exército de Amom combateu contra Israel. O exército desesperou-se porque não havia guerreiros capazes de lutar e garantir a vitória do Povo Escolhido. Era o momento e a hora de Deus usar Jefté, e diante do aperto “foram os anciãos de Gileade buscar Jefté na terra de Tobe” (Jz 11.5). Era Deus honrando o filho da prostituta. Deus não vê como o homem!

     Naquela batalha contra Amom, Jefté tentou resolver a questão de forma diplomática para evitar o derramamento de sangue, mas sem resultados positivos. A guerra seria a única saída, e para isso “o Espírito do Senhor veio sobre Jefté, e atravessou ele por Gileade e Manassés; porque passou até Mispa de Gileade e de Mispa de Gileade passou até aos filhos de Amom. Assim Jefté passou aos filhos de Amom a combater contra eles; e o Senhor os deu na sua mão” (Jz 11.29,32). Deus deu a vitória ao povo de Israel através das mãos do filho de uma prostituta. Deus não vê como o homem!

   “Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” (1 Co 1.27). Não importa os problemas que você esteja passando ou já passou. Não importa se sua origem ou sua família seja a mais humilde. Não importa a sua posição social. Não importa se você é um daqueles que como Jefté foi excluído por causa de preconceitos ou algum juízo de valor mal formulado que fizeram de você. Para Deus não importa de onde você veio, mas as suas convicções de para onde você vai. Creia que Deus pode valorizar o que ninguém dá valor, e usar para seus propósitos as “coisas vis e desprezíveis deste mundo” ( 1 Co 1.28). Ele fez isso com Jefté e pode fazer com você também.

Em Cristo,

Samuel Eudóxio