terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O testemunho cristão. 1 Jo 2.6



               Há um ditado popular que diz que “as palavras convencem, o exemplo arrasta”. Isso é bem verdade quando se fala de Cristianismo. O valor do testemunho cristão tem que ir além de suas palavras. De nada adianta um discurso de santidade e vida com Cristo, se na realidade isso não acontece. Jesus chamou os fariseus de “sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia” (Mt 23.27). A nossa vida pública deve ser reflexo daquilo que somos no particular, mas parece que os homens se preocupam em demonstrar um padrão na aparência, na presença, e outro completamente diferente na vida privada.
            Há homens que parecem tão santos no santuário, que nunca deveriam sair de lá, e tão impuros fora dele, que nunca deveriam adentrá-lo. Charles Haddon Spurgeon dizia: “Que nunca sejamos sacerdotes de Deus no altar e filhos de Belial fora das portas do tabernáculo”. Hipocrisia pode ser tolerada nos meios políticos e sociais, mas não na casa de Deus.
            Paulo aconselha ao jovem Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16). Esse padrão serve para todos os crentes, em todas as épocas. Mantenha-se em linha com a verdade, para que aqueles que te ouvem e convivem contigo não desabonem seu discurso, e por fim desacreditem na fé. Richard Baxter, teólogo inglês do século 16, coloca isto desta forma: “Dê atenção a você mesmo, para que seu exemplo não contradiga sua doutrina (...) para que você não desminta com a vida o que diz com a língua; e seja o maior impedimento ao sucesso do seu próprio trabalho.” O testemunho cristão é fundamental.
            Quando João diz que “aquele que diz que está Nele também deve andar como Ele andou” (1 Jo 2.6), ele remete-nos a um grande desafio: sermos imitadores de Cristo e testemunhas de Seu evangelho.
            Testemunho não é apenas falar daquilo que Jesus fez, é também viver uma vida de acordo com a Palavra de Deus, de forma que a nossa maior pregação seja nossa própria vida. Testemunho é a “prova, o vestígio, o indício” das verdades professadas pelo cristão. É a diferença entre aquele que serve e o que não serve a Deus (Ml 3.18). No novo testamento esse testemunho está expresso como luz resplandecente (Mt 5.16), santidade (1 Pe 1.15,16), zelo pelo bem (1 Pe 3.13), maneira de viver (Hb 13.7), exemplo de boas obras (1 Ts 1.7), entre outros termos. Jesus ilustra com dois elementos: sal e luz (Mt 5.13-15).

Em Cristo,

Ev. Samuel Eudóxio

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Avivamento pela Palavra - 7ª Parte - Pregação expositiva e efeitos do avivamento



Continuação e última parte do estudo sobre "Avivamento pela Palavra".

5 – A grande necessidade da pregação expositiva. V. 8

“E leram o livro, na Lei de Deus, e declarando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.”

Definição de pregação expositiva:
É aquela que se ocupa principalmente da exegese ou exposição completa de textos ou palavras das escrituras.

Características da pregação expositiva:
Essencialmente bíblico e se distingue pela sua reverência a verdade sagrada.
Exige mais preparação por parte do pregador.
Traz mais conhecimento tanto ao pregador, quanto aos ouvintes, que passam a amar a Palavra de Deus.
Foi método primitivo de pregação.
É o método mais apreciado por aqueles que se dedicam ao estudo da Palavra de Deus.
O texto explanado tem que star em harmonia com outros da Bíblia, formando um todo harmônico, procedente de Deus para seu povo. O texto não pode ser isolado de toda a Escritura.

Vantagens da pregação expositiva, por Hernandes Dias Lopes
1 – A pregação expositiva dá vida ao povo.
2 – A pregação expositiva encoraja o povo a estudar por si só a Palavra de Deus.
3 – A pregação expositiva tem um meio de ampliar os horizontes do indivíduo.
4 – A pregação expositiva oferece ao pregador uma congregação cada vez mais amadurecida. 

Alguns exemplos bíblicos de pregação expositiva

Jo 4. Jesus e a mulher samaritana.
At. 8. 30, 31, 35: “Entendes tu o que lês? E ele disse: Como poderei entender, se alguém me não ensinar? E rogou que subisse e com ele se assentasse. v. 35:  “Então Filipe, abrindo a boca e começando nesta Escritura, lhe anunciou a Jesus.”
At 7: Estevão começa falando de Abraão e faz um relato de toda a história de Israel até a chegada do Messias.
At 10. 34-48: Pedro na casa de Cornélio. Após sua pregação expositiva “caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a Palavra.”
At 13. 13- 52: Paulo e Barnabé na Sinagoga de Antioquia da Pisídia. Observe o poder da pregação expositiva, pois que no versículo 45 diz: “E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a Palavra de Deus.”
At 18.11: Paulo em Corinto – “E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a Palavra de Deus.”
At 26.1-32: Paulo perante o rei Agripa. O resultado foi esta palavra do rei: v. 28 “Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão.”
At 20.7-11: Paulo em Trôade. Ele pregou e “alargou a prática até á meia noite” (v.7). Eutico, que estava na janela, parece pouco interessado com o sermão do apóstolo, a exemplo de muitos de nossos dias. Paulo abraça aquele jovem e pede calma aos presentes, visto que aquele jovem viveria. Ele para o culto? Não. Diz o versículo 11: “E, subindo, e partindo o pão, e comendo, ainda lhes falou largamente até a alvorada; e assim partiu.”

6 – A renovação que veio pela Palavra. Ne 8.9-12; 9.1-3,38; 10.28-39 

A – Quebrantamento espiritual. V.9c: “Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei.”
O choro produzido deve ser de arrependimento genuíno. Não pode ser apenas emocionalismo.
Existem alguns pseudos avivamentos, onde as pessoas choram, rodopiam, pulam, fazem os chamados “aviãozinhos”, deitam-se no chão como mortos durante vários minutos (senão o culto todo), dão risadas sem controle, uivam como leões, além de outras aberrações. Isto não passa de manifestações que se quer ultrapassam as portas do templo. É um "avivamento" efêmero.

Nosso culto deve ser racional (Hb 12.1). Veja: 

1 – Atinge o intelecto (8.8). A pregação é dirigida á mente, e apelar ao entendimento. (8.2,3,8,12)

2 – Atinge a emoção (8.9-12). Essa emoção manifestou-se de duas formas:
1ª) Choro pelo pecado (8.9). A Palavra de Deus produz arrependimento, quebrantamento e choro pelo pecado. Quanto mais você está perto de Deus, mais reconhece ser pecador. “O emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte essencial do cristianismo.”
2ª) Alegria da restauração (8.10).  Essa alegria tem três aspectos importante:
- Origem divina: “ A alegria do Senhor” (v. 10). Não é uma alegria circunstancial, sentimental, momentânea.
- Conteúdo bendito. Deus não é apenas a origem, mas o conteúdo desta alegria.
- Efeito glorioso: “A alegria do Senhor é a nossa força” (v. 10). Quem sente esta alegria não olha para trás como a mulher de Ló. É essa alegria que faz com que o crente vá em frente, mesmo vivendo tribulações.

3 – Atinge a vontade (8.11,12).  
A -  (1) - O povo obedeceu á voz de Deus e deixou o choro e começou a regozijar-se (v.10,12). (2) – O povo tornou-se solidário ao próximo, enviando porções para que todos participassem da grande festa.
B – Gosto pela Palavra. V. 18
Fizeram a Festa dos Tabernáculos com duração de 07 dias e olhe o resultado:
v. 18: “E, de dia em dia, ele lia o livro da Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro; e celebraram a solenidade da festa sete dias e, no oitavo dia, a festa do encerramento, segundo o rito.”
C – Retorno aos bons costumes. Ne 9.1. Voltaram ao jejum.
D – Separaram-se “de todos os estranhos” (v. 2)
A igreja não pode se misturar com o mundo. Se quisermos viver um verdadeiro avivamento temos que tirar de nosso meio toda mistura.
1 João 2.15-16:  “Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” (1 João 2.15-16)
E – Confissão de pecados. (9.2,3)
“... puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados e das iniqüidades de seus pais.”
1 Jo 1.7: “Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.”
1 Jo 1.8,9: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
F – Adoração genuína. V. 3
“... fizeram confissão; e adoraram o Senhor, seu Deus.”
Primeiro confessaram os pecados, depois adoraram. Tem muita gente querendo adorar, sem confessar.
G – Fizeram concerto de andarem na Lei do Senhor. (10.28-39)
- Todos aderiram a este concerto. V. 28; “... suas mulheres, seus filhos e suas filhas, todos os sábios e os que tinham capacidade para entender...”

- O compromisso que o povo fez era de: (10.29)
1 – Andar na Lei.
2 – Guardar a Lei.
3 – Cumprir a Lei.

Conclusão: Não existe avivamento que não comece por um retorno ás Escrituras. As igrejas precisam com urgência retornar á leitura, meditação e viver de acordo com a Palavra de Deus. Todo movimento espiritual que não esteja pautado pela BÍBLIA deve ser analisado, e se não passar pelo crivo da Palavra, deve ser rejeitado.
“Avivamento é um estado espiritual no qual os crentes se chegam mais perto de Deus, arrependem-se e purificam-se de acordo com os padrões bíblicos de santidade, são cheios com o Espírito Santo, esperam e experimentam manifestações sobrenaturais e cooperam juntos para glorificar a Deus, edificam-se uns aos outros e evangelizam os perdidos para Jesus Cristo.”

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Avivamento pela Palavra - 6ª Parte - Reverência, louvor e adoração nos cultos



...continuação...

3 – A reverência nos cultos. V. 5

“E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs de pé.”
Salmos 89.7: “Deus deve ser em extremo tremendo na assembléia dos santos e grandemente reverenciado por todos os que o cercam.”
A – Reverência a Palavra – Infelizmente há alguns que nem mesmo trazem mais a Bíblia ao culto. Sente prazer nos louvores, nos testemunhos, em toda a programação da igreja, mas não na explanação da Palavra de Deus.
B – Reverência no culto ao Senhor. Tenho observado com muita tristeza o crescimento de uma grande irreverência nos cultos que prestamos ao Senhor. Infelizmente, é inegável que há reuniões pagãs onde há reverência a falsos deuses e as reuniões são conduzidas de modo ordeiro. O que será de nós, portanto, que nos reunimos para adorar o verdadeiro Deus?

Algumas das atitudes que observamos durante nossos cultos: 

- Atrasos injustificáveis
- Chegar ao culto e nem sequer dobrar os joelhos para orar, quando a prática antiga era chegar 30 minutos antes e orar até o início do culto.
- Excesso de idas aos banheiros, principalmente por crianças, jovens e adolescentes. Nossos cultos duram no máximo 02 horas e há pessoas chegam a ir ao banheiro 4 vezes, além de tomar água pelo menos umas 05 (cinco). Será que se estivesse em casa fariam o mesmo?
- Conversa paralela durante o culto. No mínimo é uma falta de educação com quem está ministrando ou louvando. Às vezes isso dificulta até mesmo o pregador na entrega da mensagem que Deus lhe deu para o povo. E Deus, o que será que pensa disto?
- Presença no momento dos louvores e abandono do templo no momento da Palavra.
- Músicos que só fazem “a sua parte” e abandonam a sua posição no restante do culto. Por várias vezes, durante a liturgia, você sente de Deus de louvar ao Senhor com um hino e ao procurar os músicos não os encontra onde deveriam estar.
- Há aqueles que “aproveitam” o momento do culto para resolverem assuntos administrativos.
- Um “culto” nos corredores e pátios da igreja, além de outro nos banheiros.

E ainda queremos um avivamento? Desta forma?

O que a Bíblia nos diz sobre a reverência ao Senhor:

Hc. 2.20: “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.”
Sl 89.7: “Deus deve ser em extremo tremendo na assembléia dos santos e grandemente reverenciado por todos os que o cercam.”
Lv 19:30: “Guardareis os meus sábados e o meu santuário reverenciareis. Eu Sou o Senhor.”
Hb 12.28: “Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade.”
Ec 5.1,2: “Guarda o teu pé, quando entrares na Casa de Deus; inclina-te mais a ouvir do que a oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal. Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; pelo que sejam poucas as tuas palavras.”

4 – Louvor e adoração nos cultos. V.6

E Esdras louvou o Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! – levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra.”
A – A adoração em nossos dias está erroneamente ligada apenas à música.
B – O adorador não precisa ser necessariamente um músico, mas um crente que teme ao Senhor. Jonas 1.9: “Eu sou hebreu e temo ao Senhor...” – sou um hebreu adorador.
C – O adorador reconhece a sua pequenez e a grandeza de Deus.

Algumas definições:

Adoração:

 
É o produto do adorador; não combina com extravagância, mas é sempre reverente. Vejamos:
Gn 24.26: “Então, inclinou-se aquele varão, e adorou ao Senhor.”
Ex. 12.27c: “Então, o povo inclinou-se e adorou.”
Ex 34.8: “E Moisés apressou-se, e inclinou a cabeça á terra, e encurvou-se,”
2 Cr 20.18: “Então, Josafá se prostrou com o rosto em terra; e toda a Judá e os moradores de Jerusalém se lançaram perante o Senhor, adorando o Senhor.”
2 Cr 29.28,29: “E toda a congregação se prostrou quando cantavam o canto, e as trombetas tocavam; tudo isto até o holocausto se acabar. E, acabando de o oferecer, o rei e todos quantos com ele se acharam se prostraram e adoraram.”
Ne 8.6c: “...e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra.”
Mt 2.11: “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram...”
1 Co 14.25: “Os segredos do seu coração ficarão manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente ente vós.”

Louvor:   

A - É a expressão, verbalização, exteriorização do que está em nosso coração.
Sl 57.7: “Preparado está o meu coração, ó Deus, preparado está o meu coração; cantarei e salmodiarei.”
B – Louvor não se limita ao cântico.
Sl 103.1,2: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu Santo Nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios.”
1 Ts 5.23: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Cântico

É o meio de expressão do louvor; é o louvor com música.
Sl 149.1: “Louvai ao Senhor! Cantai ao Senhor um cântico novo e o seu louvor, na congregação dos santos.”
Sl 69.30: “Louvarei o nome de Deus com cântico e engrandecê-lo-ei com ação de graças.”
1 Co 14.26: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação.”
Pode haver cântico sem louvor e adoração
Amós 5.23: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias dos teus instrumentos.”
Is. 29.13: “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído.”

Louvor e adoração não são show, nem baile gospel, e nem todo ritmo deve ser empregado na adoração no templo.

Referência bibliográfica: em "4 - louvor e adoração nos cultos" - Livro "Erros que os adoradores devem evitar" do Pr. Ciro Sanches Zibordi (recomendo a leitura desta obra para obreiros e todos que trabalham com equipes de louvor nas igrejas).

Continua....
Em breve os dois últimos tópicos do estudo.

Em Cristo, 
E. Samuel Eudóxio