Era década de 80. Lembro-me como se fosse hoje. A cidade era Nazareno, interior de MG. Minha idade? Entre 8 e 12 anos. Mas eu me lembro. Como me esqueceria?
Meu pai é um pastor assembleiano de tempo integral, com serviços ministeriais prestados em MG e SP. Como nasci em um lar cristão, sendo filho de pastor, fui criado em torno do ensino da Palavra, Círculo de Oração, Escola Bíblica Dominical, entre outros eventos de nossa denominação. Costumava ir às reuniões de oração junto com minha mãe e não dá para esquecer o que via ali: os períodos de oração eram em torno de uma hora, os bancos eram banhados com lágrimas e havia quebrantamento de espírito. O resultado? Reverência e temor diante das coisas de Deus.
Minha mãe era professora da classe infantil da Escola Dominical. Próximo a Igreja existia um campo para onde as crianças eram levadas para debaixo de uma sombra para aprenderem as Lições Bíblicas. Confesso que os materiais didáticos não eram sofisticados como hoje. Se resumiam em gravuras e cartolinas com os personagens bíblicos. Os corinhos? "Quão bom e quão suave é, que os irmão vivam em união", "a formiguinha corta folha e carrega", "O sabão lava meu pesinho, lava minha boquinha...mas só Jesus pode lavar meu coração". Eram esses e mais alguns.
A noite, por volta das 18 horas, ligava-se a aparelhagem da igreja, cujo componente era uma corneta que lançava o som a uma boa distância convidando as pessoas a participarem de mais um culto de louvor e adoração ao Senhor.
A vida naquela época não era fácil. Muito menos para um pastor de tempo integral. Mas as mãos do Senhor nunca nos desamparou. Minha família passou por grandes dificuldades, mas em nossa mesa nunca faltou o pão. Aleluia! Meu pai? Nunca o vi falar em deixar a obra de Deus e voltar atrás em seu ministério. Por que? Simples. As aspirações eram outras. Não as dos "pregadores internacionais", "preletores renomados" e " tele-evangelistas" atuais. O evangelho era pregado de forma simples e eficaz. A preocupação era a salvação de almas, transformação de vidas. Foi nesse contexto que cresci e aprendi a amar as Assembleias de Deus, mas os anos se passaram e a realidade mudou.
Sinceramente, estamos vivenciando uma situação insuportável. Aqueles que têm oportunidade de entrar nos canais de televisão, o fazem para atacar lideranças de igrejas co-irmãs, fazer politica eclesiástica, vender produtos que supostamente curam e prosperam, etc. Tomei uma decisão. Não assisto a maioria dos programas evangélicos. O conteúdo, infelizmente, não agrada aqueles que tem um compromisso com a verdade, com a pregação de um evangelho verdadeiramente cristão.
Não tenho saudade nenhuma do radicalismo em que vivíamos em nossa denominação nos tempos da minha infância. O que eu oro a Deus para que volte é o temor, a reverência e o verdadeiro idealismo cristão daquela época.
"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade"(2 Tm 2.15).
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Gideão: chamado em meio a crise
Jz 6 e 7
Quem eram os midianitas?
Os midianitas eram povos nômades árabes dos desertos da Síria da Arábia. Esse povo oprimia Israel roubando suas colheitas e também seus animais .Eles tinham invadido a parte central da Palestina. Em um de seus ataques eles mataram os irmãos de Gideão, em uma terra chamada Tabor. Foi então que Gideão teve uma experiência com Deus, onde o Anjo do Senhor o chamou para fazer dele o libertador de Israel.
Detalhes da opressão midianita
Os midianitas destruíam toda a plantação de Israel, não deixando nenhum mantimento. Matavam as ovelhas, os bois e os jumentos. Eles entraram nas terras de Israel em multidões “como gafanhotos”, seus camelos eram inumeráveis, sua missão era dizimar o povo de Israel. A história diz que por causa disto, Israel se enfraquecia a cada dia.
O povo de Israel clamou pela ajuda de Deus
Diante da situação de escravidão, o povo de Israel não tinha como se livrar das mãos de um inimigo tão numeroso e poderoso como os midianitas. Na lógica, seu exército era mais frágil e o povo estava desmotivado para batalhar. O medo não os deixava acreditar que seriam capazes de vencer seus inimigos. A única solução foi “clamar ao Senhor”, pedir ajuda a Deus. A Bíblia diz que diante do pedido de socorro de Israel, Deus lhes fez lembrar de outras vezes que eles estiveram em apuros e que Deus os livrou das mãos de seus opressores. Somos levados a pensar que Deus nos desamparou nos momentos de adversidade. Existem pessoas que não sentem Deus nas tempestades, nas dificuldades, nas doenças, porém, Ele sempre está perto daqueles que o clamam, daqueles que acreditam que Ele pode solucionar os seus problemas. Diante disto, Deus chamou Gideão.
Como Gideão foi chamado para esta batalha
Gideão estava preparando o trigo para depositá-lo ás escondidas dos midianitas. Mesmo na adversidade, quando tudo estava contrário, ele não parou. O que é mais fácil? Aceitar os problemas e conviver com eles? Trancar o quarto e fazer de contas que tudo está bem, com medo de sair e se deparar com os conflitos? Passar uma vida toda sendo passivo com situações contrárias? “Ó vida, ó céus, ó azar!” Não é o que muitos têm dito? Deus não quer que você viva nesta situação. As pessoas que Ele procura para as batalhas da vida têm que ser como Gideão: dispostas, corajosas, motivadas, prontas para vencer. Faça como Gideão, continue mesmo contra a lógica, e Deus estará com você.
Gideão e sua revolução espiritual (Juízes 6.24-28)
A tribo a qual Gideão pertencia estava entregue a uma religião pagã. Era necessário uma decisão emergencial: romper com seus costumes para estar mais próximo de Deus, visto que o povo de Israel não era um povo politeísta (que possuía muitos deuses), mas monoteísta (adoravam a um Único Deus). A primeira coisa que Gideão fez foi voltar-se para Deus. Precisamos, assim como Gideão, nos aproximarmos mais de Deus e nos distanciar de tudo que nos separa Dele. Depois que Gideão tomou esta decisão, a Bíblia diz que o “Espírito do Senhor apoderou-se de Gideão”, ou seja, ele se tornou um homem cheio de Deus. Eis o motivo das vitórias de Gideão!
O povo que se ajuntou a Gideão (Juízes 6.34)
Quando o povo viu que Deus estava com Gideão, muita gente se ajuntou a ele para guerrear contra os midianitas. É interessante como as pessoas querem estar ao lado de pessoas motivadas, que sabem o que querem e para onde estão indo. Segundo a Bíblia, a princípio, eram 32 mil guerreiros que se ajuntaram a Gideão (Juízes 7.3).
Gideão venceu só por causa dos 300 homens ou foi um milagre divino? ( Juízes 7)
“Disse Deus a Gideão: o povo que está contigo é demais para Eu entregar os midianitas em suas mãos. Não seja o caso que Israel se glorie contra mim, dizendo: Foi a minha própria mão que me livrou.” (Juízes 7.2)
Diante daquela multidão, Deus deu uma ordem: “Aquele que for medroso, volte.” Dos 32 mil, só ficaram 10 mil. Isso mesmo, 22 mil voltaram para trás, mas para Deus ainda era gente demais. “Disse mais o Senhor a Gideão: Ainda são muitos.” Deus, mais uma vez, separa aqueles que estão dispostos a batalhar. Desta vez os homens foram levados a um riacho para beber água. Aqueles que “lambessem as águas como cães” seriam os escolhidos, os que se ajoelhassem para beber voltariam para casa. Somente 300 lamberam as águas, 9.700 voltaram. A posição de “lamber as águas” demonstra destreza e prontidão, visto que a boca está na água, mas os olhos prontos a ver o inimigo e a posição muito mais favorável para uma eventual defesa. Os ajoelhados demonstraram cansaço e falta de interesse.
O que Deus disse a Gideão foi: “Com estes trezentos homens que lamberam a água vos livrarei, e entregarei os midianitas na tua mão.” (Juízes 7.7). Gideão dividiu aqueles 300 homens em 3 companhias de 100 homens e armou cada um deles com uma trombeta, um cântaro (vaso de barro) vazio e uma tocha acesa.
Gideão desceu ao acampamento dos midianitas e olha o que aconteceu:
“Assim tocaram as três companhias as trombetas, despedaçaram os cântaros, segurando com as mãos esquerdas as tochas e com as direitas as trombetas para as tocarem, e clamaram: A espada do Senhor e de Gideão! E conservou-se cada um no seu lugar ao redor do arraial; então todo o exército deitou a correr e, gritando, fugiu. Pois, ao tocarem os trezentos as trombetas, o Senhor tornou a espada de um contra o outro, e isto em todo o arraial, e fugiram até Bete-Sita, em direção de Zererá, até os limites de Abel-Meolá, junto a Tabate.” (Juízes 7. 20-22)
Lições da vida de Gideão
1ª – Preciso ser forte diante das dificuldades
2ª – Não posso me conformar com os problemas
3ª – Não posso sentir-me vitima do mundo e de todos
4ª – Não parar, estaguinar, preciso continuar minha vida, mesmo quando tudo parece ser contrário
5ª – Não venço sozinho, preciso de Deus
6ª – Preciso estar pronto para novos desafios
7ª – Coragem para liderar
8ª – Prontidão ao chamado de Deus
9ª – É Deus que me dá as estratégias para vencer, preciso confiar, mesmo que pareça ilógico
10ª – Quem venceu a batalha não foram os 300, pois isto seria impossível, mas a fé de um homem em um Deus que pode tudo fazer.
Samuel Eudóxio
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Sugestão de leitura
Caros amigos, estou de volta.
Depois de intenso trabalho e estudos na área profissional, não que tenha deixado de fazê-lo na área espiritual, estamos de volta na postagem de artigos no blog.
Quero retornar sugerindo a leitura de um livro sobre a história do evangelho no Brasil, que li recentemente: "Jornada no Império" de William B. Forsyth, publicado no Brasil pela Editora Fiel. O autor relata a fantástica história dos trabalhos missionários do médico escocês Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Kalley, que chegaram ao Brasil em 1855, em pleno regime monárquico, tendo como imperador Dom Pedro II, que aliás, era freguentador da casa do Dr. Kalley. O casal Kalley foram quem fizeram a primeira reunião de Escola Dominical que se tem notícias em terras brasileiras, em 19 de agosto de 1855, na cidade de Petrópolis, RJ.
Segundo a história, o Dr. Kalley era amigo de homens como C. H. Spurgeon e Hudson Taylor.
O livro é muito empolgante e envolvente. Vale a pena ler e conhecer o princípio da igreja evangélica no Brasil.
Depois de intenso trabalho e estudos na área profissional, não que tenha deixado de fazê-lo na área espiritual, estamos de volta na postagem de artigos no blog.
Quero retornar sugerindo a leitura de um livro sobre a história do evangelho no Brasil, que li recentemente: "Jornada no Império" de William B. Forsyth, publicado no Brasil pela Editora Fiel. O autor relata a fantástica história dos trabalhos missionários do médico escocês Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Kalley, que chegaram ao Brasil em 1855, em pleno regime monárquico, tendo como imperador Dom Pedro II, que aliás, era freguentador da casa do Dr. Kalley. O casal Kalley foram quem fizeram a primeira reunião de Escola Dominical que se tem notícias em terras brasileiras, em 19 de agosto de 1855, na cidade de Petrópolis, RJ.
Segundo a história, o Dr. Kalley era amigo de homens como C. H. Spurgeon e Hudson Taylor.
O livro é muito empolgante e envolvente. Vale a pena ler e conhecer o princípio da igreja evangélica no Brasil.
sexta-feira, 20 de maio de 2011
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O trigo e o joio
O texto bíblico é Mateus 13.24 - 30, 36 - 43. Muito conhecido por sinal, mas sempre vivo e atual.
Ao ler o capítulo 13 de Mateus, no versículo 2 vemos "muita gente" aos pés de Jesus ansiosos por ouvir Suas Palavras. Muitos dos que ouviram, com certeza, sairam sem entender o que Jesus ensinava. O mesmo não se pode dizer dos discípulos, que tiveram a parábola do semeador explicada por Cristo por iniciativa do Mestre e quando não entenderam a parábola do joio e do trigo "chegaram ao pé Dele" (v. 36) dizendo: "Explica-nos a parábola do joio do campo." Bem aventurado aquele que tem comunhão com o Senhor, que não fica só na superfície, mas busca conhecer mais de Deus. Há uma diferença muito grande entre "muita gente" que fica aos pés de Cristo e os verdadeiros discípulos que se chegam aos Seus pés e reclinam a cabeça em Seus ombros.
Vejamos a parábola em questão. O semeador da boa semente é Cristo. O campo é o mundo ou a igreja de Cristo espalhada na Terra (M. Henry). A boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do maligno. O inimigo é o semeador do joio. A ceifa é o fim do mundo. Os ceifeiros são os anjos. (v. 36 - 39). O texto bíblico explica-se por si só.
Quero me ater entre os versículos 24 e 30. A bíblia diz que a boa semente foi semeada. Ela tem germinado entre os séculos, vencendo as perseguições e o inferno. Sempre há a boa semente, sempre resta um remanescente fiel. Mas eles dormem. Não porque querem, mas porque quanto mais estão perto do fim, mais estão cansados de lutar, e a noite vem, e com ela o sono. No meio desse sono dos ministros de Cristo é que o inimigo se apresentou e semeou o joio no meio do trigo (v.25). Perceba como o inimigo semeou o joio e logo se retirou. Ele age sempre assim, sem ser visto, disfarçado de "anjo de luz" (2 Co 11.13,14).
Agora temos trigo e joio plantados no mesmo solo, no mesmo lugar. O joio é uma erva daninha que cresce nos campos de cereais, fica tão alto quanto o trigo e tem grande semelhança com ele. Os judeus acreditavam que era um tipo de trigo degenerado, os rabinos o chamavam de "bastardos". As sementes do joio são venenosas para o animal herbívoro e para o homem, causando náuseas, sonolências, convulsões e até a morte. É justamente isso que cresce no meio do trigo. Algo perigoso, intragável e mortal. O costume era deixar que o joio crescesse com o trigo porque no momento certo ele seria distinguido, arrancado e queimado.
Há hipócritas e falsos crentes que se manifestam facilmente, outros por sua vez só o tempo manifestará. Como já disse, estão entre os torrões, escondidos em uma falsa religiosidade e professando uma fé falsa, raquítica. Parece trigo, mas é joio. O trigo fiel está preocupado: "Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio?" A resposta de Cristo tira a responsabilidade do servo fiel, que na verdade dormiu, mas não foi o semeador do joio. "Um inimigo é quem fez isso." Tenho visto muitos pastores fiéis sofrendo com o joio que tem causado mau a obra do Senhor. Adoecem, se estressam, se culpam. Mas o Senhor disse: "Um inimigo é quem fez isso." O zelo pela obra do Senhor impulsiona o trigo legitimo a arrancar logo o joio, porém Jesus o impede, visto não ser um papel do homem. Deixe crescer juntos, trigo e joio, e chegará o tempo de dar frutos. O trigo dará seu fruto e se multiplicará. O joio, quando chega o tempo do fruto nada tem para oferecer, é só aparência. "O trigo sabe quem é, o joio pensa que é. O joio cuida de sua reputação e aparência exterior." O trigo produz frutos (Gl 5. 22-26).
Chega o tempo de colher os frutos. É chegado o tempo da ceifa. A ordem de Cristo é: "colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar." O joio será atado junto. Todo tipo de pecadores, ateístas, perseguidores, zombadores, matadores de servos fiéis, disseminadores de contenda no meio do campo, falsos crentes, e um grande número de hipócritas. Serão atados e lançados na fornalha de fogo, onde haverá choro e ranger de dentes. Esse é o fim do joio.
O trigo terá um fim glorioso. "Ajuntai-o no meu celeiro" - disse o Senhor. Mesmo dispersos no campo, serão ajuntados, não atados, e trazidos para o celeiro do Senhor, onde "resplandecerão como o sol" (v.43). Os grãos de trigo serão, então, colocados a salvo, e não serão mais expostos ao vento e ao tempo, ao pecado e a dor, não serão separados, e embora estejam distantes no campo, estarão próximos no celeiro. O céu é um celeiro de grãos, no qual o trigo será não só separado do joio das más companhias, mas separado da palha de sua próprias corrupções.
Samuel Eudóxio.
Ao ler o capítulo 13 de Mateus, no versículo 2 vemos "muita gente" aos pés de Jesus ansiosos por ouvir Suas Palavras. Muitos dos que ouviram, com certeza, sairam sem entender o que Jesus ensinava. O mesmo não se pode dizer dos discípulos, que tiveram a parábola do semeador explicada por Cristo por iniciativa do Mestre e quando não entenderam a parábola do joio e do trigo "chegaram ao pé Dele" (v. 36) dizendo: "Explica-nos a parábola do joio do campo." Bem aventurado aquele que tem comunhão com o Senhor, que não fica só na superfície, mas busca conhecer mais de Deus. Há uma diferença muito grande entre "muita gente" que fica aos pés de Cristo e os verdadeiros discípulos que se chegam aos Seus pés e reclinam a cabeça em Seus ombros.
Vejamos a parábola em questão. O semeador da boa semente é Cristo. O campo é o mundo ou a igreja de Cristo espalhada na Terra (M. Henry). A boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do maligno. O inimigo é o semeador do joio. A ceifa é o fim do mundo. Os ceifeiros são os anjos. (v. 36 - 39). O texto bíblico explica-se por si só.
Quero me ater entre os versículos 24 e 30. A bíblia diz que a boa semente foi semeada. Ela tem germinado entre os séculos, vencendo as perseguições e o inferno. Sempre há a boa semente, sempre resta um remanescente fiel. Mas eles dormem. Não porque querem, mas porque quanto mais estão perto do fim, mais estão cansados de lutar, e a noite vem, e com ela o sono. No meio desse sono dos ministros de Cristo é que o inimigo se apresentou e semeou o joio no meio do trigo (v.25). Perceba como o inimigo semeou o joio e logo se retirou. Ele age sempre assim, sem ser visto, disfarçado de "anjo de luz" (2 Co 11.13,14).
Agora temos trigo e joio plantados no mesmo solo, no mesmo lugar. O joio é uma erva daninha que cresce nos campos de cereais, fica tão alto quanto o trigo e tem grande semelhança com ele. Os judeus acreditavam que era um tipo de trigo degenerado, os rabinos o chamavam de "bastardos". As sementes do joio são venenosas para o animal herbívoro e para o homem, causando náuseas, sonolências, convulsões e até a morte. É justamente isso que cresce no meio do trigo. Algo perigoso, intragável e mortal. O costume era deixar que o joio crescesse com o trigo porque no momento certo ele seria distinguido, arrancado e queimado.
Há hipócritas e falsos crentes que se manifestam facilmente, outros por sua vez só o tempo manifestará. Como já disse, estão entre os torrões, escondidos em uma falsa religiosidade e professando uma fé falsa, raquítica. Parece trigo, mas é joio. O trigo fiel está preocupado: "Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio?" A resposta de Cristo tira a responsabilidade do servo fiel, que na verdade dormiu, mas não foi o semeador do joio. "Um inimigo é quem fez isso." Tenho visto muitos pastores fiéis sofrendo com o joio que tem causado mau a obra do Senhor. Adoecem, se estressam, se culpam. Mas o Senhor disse: "Um inimigo é quem fez isso." O zelo pela obra do Senhor impulsiona o trigo legitimo a arrancar logo o joio, porém Jesus o impede, visto não ser um papel do homem. Deixe crescer juntos, trigo e joio, e chegará o tempo de dar frutos. O trigo dará seu fruto e se multiplicará. O joio, quando chega o tempo do fruto nada tem para oferecer, é só aparência. "O trigo sabe quem é, o joio pensa que é. O joio cuida de sua reputação e aparência exterior." O trigo produz frutos (Gl 5. 22-26).
Chega o tempo de colher os frutos. É chegado o tempo da ceifa. A ordem de Cristo é: "colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar." O joio será atado junto. Todo tipo de pecadores, ateístas, perseguidores, zombadores, matadores de servos fiéis, disseminadores de contenda no meio do campo, falsos crentes, e um grande número de hipócritas. Serão atados e lançados na fornalha de fogo, onde haverá choro e ranger de dentes. Esse é o fim do joio.
O trigo terá um fim glorioso. "Ajuntai-o no meu celeiro" - disse o Senhor. Mesmo dispersos no campo, serão ajuntados, não atados, e trazidos para o celeiro do Senhor, onde "resplandecerão como o sol" (v.43). Os grãos de trigo serão, então, colocados a salvo, e não serão mais expostos ao vento e ao tempo, ao pecado e a dor, não serão separados, e embora estejam distantes no campo, estarão próximos no celeiro. O céu é um celeiro de grãos, no qual o trigo será não só separado do joio das más companhias, mas separado da palha de sua próprias corrupções.
Samuel Eudóxio.
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