sábado, 29 de janeiro de 2022

LIÇÃO 5 - COMO LER AS ESCRITURAS

SÍNTESE DA LIÇÃO

Texto áureo: Atos 8.30

Já no texto áureo percebemos a importância da Palavra de Deus ser lida e entendida. Muitos leitores abandonam a leitura das Sagradas Escrituras porwue não a entendem.


Introdução:

Leitura e estudo da Palavra é: dever e privilégio.

Importante buscarmos ter conhecimento da Palavra de Deus, e aplicar esse conhecimento na nossa vida, e não sermos leitores esquecidos, ou apenas ouvintes (Tg 1.22)


I - A BÍBLIA PRECISA SER INTERPRETADA

1 - A importância da exegese

- Exegese: "guiar para fora" - extrair da Palavra o real significado

- Eixegese: "de fora para dentro" - dar ao texto um significado que ele não tem. Força-lo a dizer uma coisa que ele não diz 


2 - As limitações dos leitores

Quando lemos, estamos interpretando, mas somos limitados.

Vamos ao texto com uma bagagem pessoal, cultural, etc. É preciso cuidado.

Precisamos do Espírito Santo e de métodos sadios de interpretação.


3 - A natureza das Escrituras

Ela deve ser interpretada segundo a sua natureza: Divina. Não é qualquer livro. 

Temos na Bíblia diversos gêneros literários, que precisam ser interpretados sob a orientação do Espírito Santo, utilizando regras gramaticais, contexto histórico e literário de quando foram reduzidos.


II - PRESSUPOSTOS PENTECOSTAIS PARA LER A BÍBLIA

1 - Autoridade da Bíblia

O leitor pentecostal nunca pode perder de vista a inspiração divina, verbal e plenária das Escrituras. (Lição 1)

Ela é também inerrante e infalível. Seu texto não pode ser relativizado e desobedecido. 

Ao contrário do que ensina o Iluminismo, fonte em que bebeu o "método histórico-crítico", que interpreta buscando a razão e tendo algumas passagens como duvidosas de inspiração, nós cremos na literalidade do que a Bíblia diz, nos milagres, na atualidade do Batismo no Espírito Santo e nos dons espirituais. 


2 - A iluminação do Espírito Santo

Explique a diferença de revelação e iluminação.

Revelação: o que os autores receberam para escrever.

Iluminação: o que o leitor recebe para entender/interpretar.

Não receberemos uma nova revelação. A Bíblia é completa. Quando surge "nova revelação" é o surgimento de heresias.


3 - O valor da experiência

A palavra de Deus deve ser lida e aplicada na vida diária.

Nenhuma experiência ou tradição religiosa pode sobrepor as Escrituras.

A "hermenêutica pentecostal" não pode partir somente da experiência do leitor. 

O "método histórico gramatical" ainda é o mais aconselhável e sadio para a interpretação bíblica, visto que ele parte do que o autor quis dizer para os seus leitores, levando em conta a sua cultura e época.

Imagina se todo leitor pentecostal fosse para o texto com suas experiências, sem levar em conta os outros métodos? 

Esteja atento a isto. É claro que o leitor pentecostal lê Atos, por exemplo com uma visão diferente do que leria um cessacionista, mas isso parte do que o próprio texto diz e tem sido vivido pela igreja há séculos, e não parte somente da experiência do leitor.


III - REGRAS BÁSICAS DE INTERPRETAÇÃO

1 - A Escritura é sua própria intérprete

Um texto não vai contradizer outro.

Achamos em texto legitima outro (vídeo Levíticos e Hebreus)

Profecias do AT que se cumpriram no NT.


2 - Princípios de interpretação bíblica

Sempre que possível, deve ser interpretado literalmente

Cuidado com simbologias e o método alegórico (Pregadores PENTECOSTAIS amam)

Texto / contexto

Seguem abaixo alguns pontos do Pr Raimundo F. de Oliveira:

"Estude a Bíblia partido do pressuposto de que ela é a autoridade suprema em questões de religião, fé e doutrina".

"Não se esqueça de que a Bíblia é a melhor intérprete de si mesma, isto é: a Bíblia interpreta a Bíblia."

"Dependa da fé salvadora e do Espírito Santo para a compreensão e interpretação da Escritura."

"Interprete a experiência pessoal à luz das Escrituras e não as Escrituras à luz da experiência pessoal".

"Os exemplos bíblicos só têm autoridade prática quando amparados por uma ordem que os faça mandamento universal."

"O principal propósito da Escritura é mudar nossas vidas e não multiplicar nosso conhecimento."

"Todo cristão tem o direito e a responsabilidade de interpretar pessoalmente as Escrituras, seguindo princípios universalmente aceita pela Ortodoxia Bíblica."

"Apesar da importância da história da igreja, ela não chega a ser decisiva na fiel interpretação da Escritura."

"O Espírito Santo quer aplicar as promessas divinas, exaradas nas Escrituras, à vida do crente em todos os tempos."

(Como estudar e interpretar a Bíblia - CPAD, 1986)


3 - O perigo da hermenêutica pós-moderna

Hoje, fala-se muito em "leitura popular da Bíblia", em que a experiência do leitor deve ser considerada para a interpretação do texto. 

Recentemente, ficou conhecido no Brasil a "hermenêutica pentecostal", já estudada no estrangeiro há tempos (EUA, por exemplo). Esse método considera a experiência pentecostal do leitor na interpretação das Escrituras.

Ressaltamos que a experiência, de fato, não pode ser negada. Por outro lado, nenhum método pode ser aceito se não considerar a inspiração divina, verbal, e plenária das Escrituras, bem como a sua inerrância e infalibilidade. Não nos esqueçamos, também, do que já foi supracitado, de que devemos "interpretar a experiência à luz da Escritura, e não à Escritura à luz da experiência pessoal".

Toda experiência deve ser submetida à autoridade da Bíblia. 


CONCLUSÃO:

A Bíblia deve ser lida, interpretada, entendida e aplicada.

Temos métodos e ferramentas que nos auxiliam nessa interpretação, além da ajuda indispensável do Espírito Santo de Deus.


Tenha uma excelente aula!

Em Cristo

Pr Samuel Eudóxio

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

O infiel só dura um momento

 Palavra de Deus não omite que entre os fiéis sempre haverão infiéis. No meio dos legítimos, sempre haverão os falsos. Veja:

1 - Joio no meio do trigo. Mt 13.24-30

2 - Peixes bons e ruins. Mt 13.47,48

3 - "Maus dentre os justos". Mt 13.49

4 - Lobos com peles de ovelhas. Mt 7.15

Outra coisa que a Palavra não omite é que o dia da separação chegará. Alguns se manifestam e são separados na era presente, outros no porvir. 

Uma coisa é certa: "os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá." (Salmos 1.5,6).

Por mais que pareça que o infiel prosperará, não se engane, pois ele só dura um momento.

domingo, 28 de novembro de 2021

É Assembleia ou não é Assembleia?

As Assembleias de Deus clássicas, além da liturgia, tem alguns parâmetros que lhe são característicos: compromisso com a Palavra de Deus, Escola Dominical, Culto de Doutrina (entenda!), compromisso com a oração, uso da Harpa Cristã, Círculo de Oração, Conjunto de Mocidade, os "bons costumes", critérios bíblicos e institucionais para separação e consagração de obreiros, e segue relação.

Eu fico me perguntando o porquê de alguns movimentos, com todas as letras mesmo, utilizam o nome da Assembleia de Deus sendo que nada tem a ver com a denominação. É porque o nome é forte? Tem respeito? Tem história?

Igrejas do "retété", "cai-cai", "unção do riso", cultos de revelações somente, "profetadas", igrejas com pastores divorciados mais de uma vez, "pastorado dado no monte", e por aí vai. Um pessoal que nunca passou por uma Assembleia, e quando vai "abrir o seu ministério", sim, abrir mesmo, coloca o nome da Assembleia. 

Na minha humilde opinião, tinha que ter o mínimo de bom senso, e pelo menos seguir a linha Assembleiana, para que todos não sejam colocados no mesmo bojo.

Infelizmente, pelo que sei, o nome não foi patenteado ou registrado, e por isso não tem como barrar essa avalanche de Assembleia que surge com um segundo nome na frente, sem ter nada a ver com a igreja histórica.

Acredito que pelo menos as convenções deveriam consultar as igrejas mais antigas de cada cidade ou região antes de credenciarem algumas dessas "pseudos assembleias" nas convenções estaduais, e por conseguinte na CGADB. Infelizmente, uma linha que esse pessoal segue é credenciar em uma convenção fora de seu Estado. Pelo menos é o que vemos acontecer aqui em MG, onde muitas buscam credenciamento no Estado de São Paulo, por exemplo.

Falo como alguém que nasceu e foi criado nessa histórica igreja, e tem amor por ela, e que me entristeço ao ver o nome da nossa denominação em movimentos que em nada condiz com a nossa Confissão de Fé, com o que pregamos ou ensinamos.

Assembleiano raiz não aceita imitação. Exige uma Assembleia de Deus 100% original. 

Com todo respeito, se não tem raiz Assembleiana, e não está disposto a seguir as origens da denominação, coloque outro nome. Coopera aí, vai. 

Em Cristo, e com amor.

Pr Samuel Eudóxio.

sábado, 30 de outubro de 2021

A Cruz

 A morte por crucificação era a forma mais cruel de execução utilizada pelos romanos nos tempos de Jesus. Era o tipo de morte que expressava vergonha e desonra, aplicada aos mais vis criminosos da época.

Jesus, o Filho de Deus, foi condenado a morte de Cruz. 

O processo de crucificação, em si, demonstra o mais vil estado de pecado da humanidade, capaz de submeter o ser humano aos mais vis castigos e sofrimentos. 

A alma humana, presa a todos os tipos de pecados, torna-se inimiga de Deus, separada da comunhão com o seu Criador.

A Cruz foi a forma de reconciliação. Jesus morreu nela pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação.

Ele transformou o sinônimo de fracasso e derrota em vitória, pois nela Jesus Cristo garantiu a nossa vida eterna e esperança de estarmos para sempre com o Senhor.

Ao homem comum, pecador, despercebido, sábios desse mundo, isso parece loucura. Pareceu também para os homens daquela época. É mais fácil crer em algo mais plausível, moderno, recheado por uma bela filosofia, do que crer no simples e poderosos poder do Evangelho da Cruz.

Não tem complexidade na mensagem do Evangelho. Ela é simples: "pregamos a Cristo crucificado" (1 Co 1.23).

A nossa sabedoria humana se perde na simplicidade e suficiência do plano da Salvação em Cristo Jesus. Paulo diz sobre isso que "a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens". ( 1 Co 1. 25).

Enquanto os homens preferem ficar presos em sua soberba e orgulho, na busca infinita de solução para os mais profundos problemas da alma, a palavra da Cruz continua fazendo para milhares de pessoas que a aceitam aquilo que nada no mundo pode fazer. Como escreveu o Pr Elienai Cabral, ela "preenche as necessidades da alma humana [...] é o poder de Deus para salvar o ser humano". 

Nesse tempo de desespero e aflições que vivemos, é à sombra da Cruz que devemos tomar o nosso lugar. Ali encontramos descanso e alívio para a nossa alma, e dali foi derramado o sangue que dá vida, e vida para sempre. 

Em Cristo,

Pr Samuel Eudóxio

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Secularização do sagrado e relativismo: Assembléia que não é assembleia.

A reação de muitos líderes com a secularização do sagrado e o relativismo que invadem as igrejas está sendo a "espiritualização do secular" e uma adequação dos cultos ao gosto do homem moderno. O resultado é uma religião longe de Deus e perto do mundo. 

Aqueles que falam na prática da oração, leitura da Bíblia, vida de devoção, santidade, entre outros princípios que norteiam o verdadeiro cristianismo, são chamados de retrógrados, tradicionais, e até de sem visão. 

Nesse contexto, preciso advertir aos nobres amigos da denominação na qual nasci, cresci e hoje atuo como Pastor Auxiliar, a Assembleia de Deus. 

No passado, não muito distante, exportavamos obreiros, ensino, doutrina (no significado da palavra, não apenas costume), liturgia, etc. Hoje, importamos. Vejo, com tristeza, muitas "Assembleias" neopentecostalizadas, distribuindo amoleto, derramando óleo na cabeça de obreiros e fiéis, trocando a adoração pelo entretenimento e os homens de Deus por "meninos". Ambientes tomados por doutrinas estranhas, liberalidade, sincretismo religioso, pragmatismo, e tantos outros "ismos" distantes da Palavra. Ambientes que pecado não é pecado, afinal "o conceito de pecado é relativo", dizem eles. 

Interessante observar que essas práticas "neopentecostais" estão em grande parte nas Assembleias das pequenas cidades, bairros, "assembleias que não são assembleias", ligadas às nossas convenções por um processo à distância, sem que haja a mínima investigação da origem dessas igrejas e de seus fundadores. Diga-se de passagem, os líderes das Assembleias presentes nesses locais há décadas sequer são consultados sobre quem é o novo interessado em ser um "convencional assembleiano".  

Nas grandes catedrais o processo de secularização se dá por outro meio, pela introdução da filosofia, sociologia, e da teologia regada pelo progressismo acadêmico, que sugere, por exemplo, o ecumenismo como a solução para a implantação da tão sonhada paz mundial, e a necessidade de uma leitura e interpretação contextualizada da Bíblia, sugerindo que ela seja ultrapassada e relativizando suas verdades absolutas.

Que Deus tenha misericórdia da igreja e levante um remanescente fiel nesse tempo de crise em que estamos atravessando. 

Em Cristo,

Pr Samuel Eudóxio

Pastor Auxiliar na Assembleia de Deus Ministério de São João del-Rei, MG